Hematoma Extradural Pediátrico: a falta de seguimento que pode colocar tudo a perder
Embora os resultados cirúrgicos em crianças com hematoma extradural (EDH) sejam, em geral, excelentes, o acompanhamento pós-operatório ainda apresenta falhas relevantes. Em uma coorte pediátrica acompanhada entre 2007 e 2021, 94,2% dos pacientes receberam alta hospitalar com Glasgow Outcome Score máximo (GOS 5), sem registros de óbito ou recorrência do hematoma. No entanto, apenas 86% das crianças tiveram ao menos uma consulta de seguimento documentada e, entre aquelas acompanhadas, 40% apresentaram queixas ou alterações neuropsicológicas.
Apesar disso, somente um terço desses casos recebeu avaliação e tratamento neuropsicológico formal. O estudo também identificou que crianças com menor Glasgow Coma Scale (GCS) na admissão apresentaram maior risco de déficits neuropsicológicos, reforçando que, mesmo em lesões extra-axiais como o EDH, o risco de sequelas cognitivas persiste.
Os dados apontam para a necessidade de protocolos padronizados de seguimento e avaliação neuropsicológica sistemática após a cirurgia, garantindo que a boa evolução cirúrgica se traduza em recuperação funcional completa.